
quando falta inspiração
daí a gente procura alguém que fale por nós.. que expresse um sentimento que não consegue surgir por algum motivo qualquer...
com vocês juliana menz...
"Não escrevo para parecer coisa alguma.
Sempre escrevi e escrever pra mim é como um alívio.
Algumas vezes não consigo dormir e basta escrever tudo aquilo que passa em forma de texto, ou não, na minha mente e pronto. Durmo.
Não escrevo porque hoje existem blogs. Escrevia muito antes disso e por necessidade.
Escrever vem de um excesso de calor na alma. É uma espécie de hipnose que faz com que deixemos de prestar atenção no mundo ao redor e passemos a formular cada parágrafo numa vida parelela.
Escrever não é fácil mas, acredito que está inerente no sujeito ou não. Não trata-se de uma escolha.
Estou certa que escrever é ato egoísta e presunçoso.
Não precisamos ser entendidos por ninguém. A página em branco nos basta.
É como ignorar toda a existência ao redor.
E eu tenho um acervo de idéias se formando e saltitando aqui dentro. Mas há tempos em que não se tem tempo..."

Desmistificando teorias
eu ligo pra você
dectector: mentira (nem sempre)
você é a mulher da minha vida (uma semana após se conhecerem)
detector: há controvérsias
eu te amo (duas semanas após se conhecerem)
detector: há controvérsias
sabe qualé? não tô pronto pra assumir um compromisso
detector: verdade (pelo menos não fica te enrolando)
como tu pôde achar que eu tava olhando pra ela? é tua amiga!
detector: mentira
prometo que vou mudar!
detector: mentira (ninguém muda de uma hora pra outra)
isso jamais aconteceu antes
detector: mentira
tu gorda? que nada!
detector: mentira (diz que não pra não ter que ficar dando explicação)
beleza não significa tanto assim pra mim
detector: há controvérsias
não transei com ninguém desde que terminamos
detector: mentira
claro que estou prestando atenção no que você diz
detector: mentira (pra evitar debates)
de jeito nenhum me incomoda você ganhar mais do que eu
detector: há controvérsias
tudo bem dividir as tarefas
detector: há controvérsias
Publicado originalmente na Revista Nova, Novembro/2005




rascunhos de meus cadernos de morosofia
Era um amor que começou pequenininho.
Depois foi crescendo, crescendo, crescendo...
Acabou que ficou um amor tão grande, tão grande, mas tão grande, que explodiu.
E eles ficaram ali, olhando um para o outro, com os restos do amor no chão.
E cada um foi para um lado, soprando os pedacinhos que sobraram para ver se nascia, pelo menos, um amorzinho novo.
Ele.
Ela.
Já.
Mas nem estão sabendo.
E de barata, você tem medo?
- Não.
- Nem de rato?
- Nem de rato.
- Nem de relâmpago?
- Nem de relâmpago, nem de trovão.
- E nem de ladrão?
- De ladrão? Nem um pouco.
- Nem de avião?
- Nem de avião.
- Nem de bungee jump?
- Já pulei 12 vezes.
- Nem de pular de pára-quedas
- Fiz um curso há um ano.
- Nem de me perder?
- Tenho. Isso eu tenho. E muito!
Dois dias depois ela acabou o namoro. Detestava homem covarde.
Era uma vez duas certezas que se encontraram, se olharam, se gostaram, se apaixonaram, se amaram, fizeram amor, casaram, sorriram, fizeram amor de novo, se olharam de novo e, quando viram, tinham parido uma lágrima. E lágrimas paridas assim, sem nenhum planejamento, crescem e se transformam em magras e desdentadas dores, sempre jogadas pelos cantos e comendo mingau para aliviar a úlcera.
Se esse seu amor
for coisa barata,
faça-me o favor:
pega o chinelo.
E mata.
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